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[Artigo] Advento: tempo de preparação

01-12-2016 | Por Pe. Lely Almeida de Oliveira

Advento

Advento

“Tu vens, tu vens eu já escuto os teus sinais…” “Eu te anuncio nos sinos das catedrais!”

Ouvindo esta belíssima canção do Alceu Valença, queremos entrar no tempo do Advento, com o coração aberto e feliz para acolher o Menino Jesus que virá como luz; luz sem ocaso que brilha em nossas trevas, que preenche os corações vazios com a doce e terna alegria e com o amor suave de Deus nosso Pai Criador. É Deus que se faz humano assumindo nossa humanidade para nos elevar a condição divina; é o Deus que quer comunicar a nós entrando na nossa história, na nossa vida.

Com o Advento inicia o novo ano litúrgico, com o primeiro domingo do Advento. É formado por quatro domingos que antecipam o Natal; começa no último domingo de novembro. Nesse período toda a Igreja é convidada a está vigilante para viver a unidade do mistério que irá celebrar. Em muitos lugares há o costume da coroa do advento. Simboliza e comunica na expectativa em preparação da chegada do dia festivo – NATAL. 

O tempo do Advento formou-se progressivamente no século IV já era celebrado na Gália e na Espanha. Em Roma, passou a ser celebrado somente a partir do século VI. Nesse período o Advento era constituído em seis semanas que antecediam a grande festa do Natal. Com São Gregório Magno (590-604), foi que passou a serem quatro semanas.

Os ritos do Advento tem toda uma mística, desde acender a primeira vela no primeiro domingo até a última para concluir as quatro semanas. O círculo da coroa simboliza a nova aliança, à forma circular também dá-se o sentido de eternidade: sem início e sem fim. Os símbolos nos ajuda a entrarmos no mistério salvífico de Deus.

Na expectativa ansiosa de celebrar o Natal, primeiro somos convidados a fazer a experiência do Advento – tempo propício de conversão, de procurarmos trilhar o caminho da vida nova, da alegria e da esperança; Advento tempo de preparação para o Natal do Senhor. Os anjos já anunciam e cantam louvores pelas maravilhas de Deus pela encarnação do seu Filho no meio de nós. Todos nós juntamente com os anjos entoemos um canto novo de paz em harmonia na mística da espiritualidade do Natal.

No tempo do Advento somos chamados para vigiar, preparar o nosso caminho para acolhermos bem o Filho de Deus que nasce e renasce trazendo a vida para aqueles que se encontram entre a morte. É um tempo de vigilância, esperança e reflexão. Esperar o novo que irá chegar. JESUS – Deus Menino que na manjedoura nos mostra a simplicidade, com o rosto cheio de amor e ternura, revela a grandeza de Deus. Deus com a sua infinita bondade, de um Pai misericordioso se abre à humanidade para dela cuidar; com isso manda Jesus para viver conosco.

Tiramos de nossa mente de que a figura importante do Natal é o papai Noel, infelizmente muitos pais colocam isso na cabeça dos seus filhos. A história do papai Noel foi inspirada em são Nicolau, arcebispo de Mira na Turquia no século IV. Segundo a lenda, Nicolau gostava de ajudar as pessoas, colocava o saco nas costas e saia pelo caminho para distribuir objetos, presentes, etc. É importante que tomemos consciência de que o centro da festa natalina é Jesus o Salvador que vem ao mundo para iluminar os nossos passos e nos conduzir à plenitude.

Celebrar o Natal para uns é simplesmente curtir com farras, com bebedeiras e outras coisas mais. Para outros o Natal é reunir em família e partilhar a vida, as experiências – é viver o momento. Em época de Natal o comércio faz uma série de propaganda, enfeita as lojas; nas vitrines tudo fica colorido com sinos e papai Noel. O comércio nos incentiva ao consumismo; nós vivemos em uma sociedade capitalista que visa o dinheiro para o lucro dos comerciantes, para engrandecer os que têm cada vez mais e, enquanto isso os pobres ficam cada vez mais pobres. É a lógica do capital. A lógica de Jesus é diferente, Ele vem para partilhar a vida para todos através da partilha do amor.

Para nós cristãos católicos o sentido do Natal é diferente e deve ser diferente; o Natal é muito mais que um “curtir” simplesmente um banquetear-se e levar tudo como uma farra, mais do que isso é viver a dimensão de uma mística que brota do espírito natalino; é levar em consideração a mensagem de Deus que a nós se revela na serenidade e humildade de uma criança que nasce numa manjedoura.

Que o tempo do Advento e do Natal seja o tempo favorável para a nossa conversão capaz de gerar uma vida nova, que possamos transcender a um espírito solidário e aberto às necessidades dos nossos irmãos mais pobres.

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