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[ARTIGO] Ser e viver

18-02-2016 | Dom Paulo Mendes Peixoto, Arcebispo de Uberaba

Foto: Reprodução

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A vida é cheia de novidades e surpresas. Isto faz parte da dinâmica da sociedade, porque ela provoca as pessoas para reagir e descobrir situações novas. Também é o que dá sentido para o existir e o bem viver com qualidade. Há o perigo da pessoa se fechar no próprio individualismo e não conseguir ser feliz plenamente. É fundamental o relacionamento social e a abertura para o outro.

Existe alguma coisa de especial no ser da pessoa humana. Não é apenas sentimento vazio, mas um verdadeiro mistério que a faz ser algo diferente e viver sem muito controle das coisas que acontecem em seu redor e na sua própria vida. É o caso do sentimento de medo que atinge a população nos últimos tempos. Somos influenciados pela situação social de insegurança.

Mas não podemos ser reféns do medo, mesmo conscientes de nossa vulnerabilidade e incapacidade para nos defender. A sensação é de dizer a frase popular: “É Deus que nos defende”. Para quem tem fé, realmente tem sentido, porque a criminalidade vem sendo como um “câncer” na sociedade moderna. Ela é inesperada e a população é surpreendida a todo instante, sem poder reagir.  Leia mais »

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[ARTIGO] O combate ao aedes aegypti

17-02-2016 | Por Dom Murilo S.R. Krieger, scj Arcebispo de Salvador

Mosquito Aedes Aegypti

Mosquito Aedes Aegypti

Dois anos atrás, as Igrejas Cristãs que fazem parte do Conselho Nacional de Igrejas Cristãs – Conic assumiram a responsabilidade de preparar a Campanha da Fraternidade (CF) de 2016. Ao refletir sobre o tema que deveriam escolher, concluíram que precisaria girar em torno do direito que todas as pessoas têm ao saneamento básico. Na fase de preparação do texto-base, foi publicada a encíclica “Laudato si – sobre o cuidado da casa comum”, do Papa Francisco. Foi natural, pois, que as reflexões papais acabassem iluminando vários parágrafos do texto.

Lançada a CF-2016, percebe-se quanto o tema que aborda é oportuno e atual. Nosso país enfrenta as consequências da “vergonhosa realidade do saneamento básico”: a multiplicação do mosquito “aedes aegypti”, transmissor da dengue, do vírus zika e do chikungunya.

Preocupada com os desdobramentos dessa situação, e convicta da necessidade de “um grande mutirão, que envolva todos os setores da sociedade”, a CNBB, através de seu Conselho Episcopal Pastoral, aprovou uma mensagem para a sociedade. Afinal, somente nos mobilizando “seremos capazes de vencer estas doenças que atingem, sem distinção, toda a população brasileira”.

Da Mensagem da CNBB, chamo a atenção para cinco pontos:  Leia mais »

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[ARTIGO] Casa comum: nossa responsabilidade

07-02-2016 | Dom Canísio Klaus/Bispo de Santa Cruz do Sul (RS)

Cartaz Campanha da Fraternidade 2016

Cartaz Campanha da Fraternidade 2016

Na quarta-feira de cinzas as igrejas cristãs articuladas de forma ecumênica lançam a Campanha da Fraternidade de 2016. O enfoque é o saneamento básico, com o intuito de garantir a integridade e o futuro de nossa Casa Comum que é o Planeta Terra. É claro que o saneamento básico por si só não irá garantir o futuro da vida, mas “é condição para se obter resultados satisfatórios na luta para a erradicação da pobreza e da fome, para a redução da mortalidade infantil e pela sustentabilidade ambiental” (Texto-Base da CF, n. 21). O saneamento básico deve vir acompanhado de várias outras ações, tais como evitar o consumismo e o desperdício de alimentos e preservar a biodiversidade.

A frase motivadora da Campanha da Fraternidade Ecumênica de 2016 é tirada do Livro de Amós (5,25): “Quero ver o direito brotar como fonte e correr a justiça qual riacho que não seca”. “Nem sempre estamos atentos para atitudes simples, por exemplo, o descarte correto do lixo, ligar nossas casas às redes de esgoto, cuidar da água, entre outras. A falta desses cuidados fere a Criação, de forma que, no lugar de flores, jardins e frutos diversos vemos esgoto a céu aberto, rios poluídos e monoculturas. A diversidade e a beleza da Criação desaparecem, e a terra que era alegre fica triste” (28).

Assim como nossas casas particulares ficam mais bonitas quando todos os seus moradores tomam alguns cuidados básicos, tais como não entrar com os pés sujos na casa, largar o lixo no seu devido lugar, não arrastar os móveis pelo chão e deixar tudo no seu devido lugar, também a grande Casa Comum de todos nós, que é a Terra, fica mais bonita quando todos se sentem responsáveis por ela. De acordo com o Texto-Base da Campanha da Fraternidade, “temos a responsabilidade, enquanto cidadãos e cidadãs, de cuidarmos do espaço onde moramos, de não jogar lixo na rua, de zelar pelos bens e espaços coletivos” (n. 168).

Para viabilizar a Campanha da Fraternidade, propomos que as lideranças das igrejas promovam reuniões em conjunto, definindo ações em nível de município e região. Estas ações devem ser articuladas com o poder público e com outras entidades envolvidas com as questões ambientais. É também importante que as igrejas aproveitem este tempo para firmarem laços de fraternidade entre si, uma vez que “unidos seremos mais eficientes, mais ouvidos, dando um testemunho mais forte e cuidando melhor do mundo e da família global que Deus nos ofereceu” (n. 193). Como pessoas de fé, “entreguemos a Deus o serviço que queremos prestar, para que Deus sempre nos inspire a caminhar a seu lado na preservação do bonito e saudável ambiente que nos ofereceu na criação” (n. 196). Façamos isso através dos grupos de família e das diversas celebrações que são próprias deste tempo.

Que Deus abençoe nossa caminhada ecumênica rumo à Páscoa e a um mundo mais alegre e bonito!

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[ARTIGO] A Alegria Cristã e o Carnaval

05-02-2016 | Dom Roberto Francisco Ferreria Paz/Bispo de Campos (RJ)

Retiros de Carnaval são realizados em todo o país.

Retiros de Carnaval são realizados em todo o país.

De volta para as carnestolendas torna-se oportuno olhar para este acontecimento cultural do carnaval com discernimento e simpatia cristã. Percebemos neste evento marcante da civilização brasileira pelo menos duas tendências inspiradoras: a que se origina do próprio calendário cristão e da explicação a uma das etimologias da palavra, carne vale isto é a carne vale no período que precede ao tempo quaresmal da penitência quando se proibia a ingestão de carne.

E a segunda que vem das festas saturnálias romanas onde havia uma procissão de um carro naval em honra de Saturno, o carrus navalis , que era acompanhado com danças e músicas profanas com pessoas sem roupa. Estas duas visões se misturam e se mesclam como podemos apreciar. A alegria cristã vem do sorriso Pascal, da vida plena, do aleluia da Resurreição, transformando totalmente a existência humana e fazendo do cristão um homem festivo e lúdico.

No entanto mesmo a festa mais singela e simples pode-se confundir e deturpar quando perdemos a consciência e o equilíbrio, dando vazão a impulsos desordenados e desvariados. Harvey Cox na sua obra sobre a Festa dos Loucos da Idade Média afirmava que uma vez no ano as pessoas tem o direito de perder a cabeça, isto é libertar-se da racionalidade e do controle social. Novamente devemos considerar que a alegria é um dom do Espírito Santo que nos orienta e conduz, também nestas ocasiões onde é preciso ser espontâneo, criativo e contente sem perder a identidade e desrespeitar aos nossos irmãos/ãs.

Muitas pessoas, por excessos podem ofender o matrimônio, a castidade, provocar acidentes ou brigas das quais se arrependerão o resto das suas vidas. Cabe a nós cristãos sermos os anjos bons dos irmãos, ajudando-os a voltar com segurança a casa, advertir o consumo excessivo de bebida, a ultrapassagem da linha da decência e da conveniência, que leva a comportamentos torpes e agressivos. Que o Senhor da Vida e da Verdadeira Alegria nos ajude como ao Rei Davi e São João Batista, a pular e a dançar louvando a Misericórdia do Pai. Deus seja louvado!

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[ARTIGO] Batismo e Missão

10-01-2016 | Por Dom José Gislon, Bispo de Erexim (RS)

Solenidade do Batismo do Senhor

Solenidade do Batismo do Senhor

Estimados Diocesanos! Neste segundo domingo do novo ano, celebramos a Festa do Batismo do Senhor, por João Batista nas águas do rio Jordão. Jesus, o filho de Deus, aquele que “batizará no Espírito Santo e no fogo”, assumindo a natureza humana, vai até o rio Jordão para receber o batismo de conversão de João Batista. Aquele que não tinha pecado desce no coração da humanidade, se junta aos pecadores para elevar consigo a humanidade ao Pai. Jesus, manso e humilde de coração, é solidário com a humanidade que padece, entorpecida pelo pecado do egoísmo, do abandono e da indiferença. Ele veio revelar ao mundo a face de Deus e o seu projeto de amor, que busca a reconciliação da criatura com o Criador, através da misericórdia.

A Festa do Batismo de Jesus, que encerra as celebrações do Natal, é também momento oportuno para recordarmos os compromissos do nosso batismo. Através dele, renascemos em nome da Santíssima Trindade como filhos e filhas de Deus e somos acolhidos na Igreja comunidade. Acolhidos não por acaso, mas para vivermos uma missão, a de testemunharmos Jesus Cristo.

Penso que no mundo temos muitos meios e modos de testemunharmos a nossa fé no dia-a-dia, na família, na escola, no local de trabalho, participando nas celebrações da comunidade ou colocando-se também a serviço do Senhor nos vários ministérios, tão necessários para o fortalecimento da comunhão e o cultivo da vida de fé nas comunidades. Quando nos dispomos a servir o Senhor, saímos do nosso isolamento, e deixamos a indiferença de lado, para dar um novo sentido à nossa vida.

A graça de poder servir a Deus e aos irmãos, através dos ministérios na comunidade e na ação missionária, pode também ajudar a despertar nos jovens, o sentido da corresponsabilidade e do compromisso em relação à vida e às fragilidades e feridas que atingem uma grande parcela do nosso povo. “Aquilo que os olhos não veem o coração não sente”. Jesus viu o sofrimento do povo, encontrando-o ao longo do caminho.

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[ARTIGO] O Batismo: Fonte de Misericórdia

09-01-2016 | Por Dom Gil Antônio Moreira, Arcebispo de Juiz de Fora (MG)

Foto: Cleofas

Foto: Cleofas

Ensina o evangelista Lucas que, ao iniciar sua vida pública, Jesus se fez batizar no Rio Jordão, por João, o Precursor. Ao descer Jesus às águas, algo sobrenatural se manifestou de forma inequívoca. O Espírito Santo desceu sobre ele em forma de pomba e ouviu-se a voz do Pai que proclamou: “Tu és o meu Filho amado, em ti ponho o meu bem querer” (cf Lc 3, 22).

Somos acostumados a ver o batismo como ato purificador, simbólico e eficaz. João batizava levando as pessoas a tomarem um bom banho nas águas do Jordão, após o qual se sentiam rejuvenescidas de seus cansaços e fortalecidas para tomarem novo caminho. O costume de batizar para significar tempo novo, limpeza da alma, purificação dos pecados não foi inventado por João Batista e nem por Jesus. Havia em seu tempo, comunidades como a de Qunran, cujos membros se batizavam todos os dias, buscando não somente a limpeza do corpo, mas o restabelecimento de pureza espiritual.

Porém, algo novo se dá no relato dos evangelistas sobre o batismo de Jesus. Ao mesmo tempo em que os evangelhos mostram que o Menino, nascido de Maria, em Belém, é o Filho de Deus feito homem, o Verbo Eterno que se fez carne, afirmam também que foi batizado por alguém que era pecador, embora fosse o Precursor. A narrativa da voz que veio do alto confirma a realidade divina de Cristo, destacando-o como Filho amado do Pai, sobre o qual estava o Espírito Santo.  Leia mais »

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[ARTIGO] Seminário: lugar de regar as sementes do discipulado e da missão

08-01-2016 | Por Pe. Sandro Alves Teixeira Lima*

Foto: PASCOM

Foto: PASCOM

Tem uma música que pede para colocar a semente na terra e que isso não será em vão. A música adverte para não nos preocupemos com a colheita, mas recorda que jamais nos esqueçamos de plantar para o irmão. A semente da fé cristã colocada no coração dos filhos e filhas de Deus, especialmente no batismo, e germinada no seio da comunidade, a começar pela família, leva o cristão a dar respostas vocacionais capazes de brotar e dar frutos que permaneçam para sempre.

No capítulo 13 do Evangelho segundo Mateus, Jesus conta a parábola do semeador e mostra que a semente caiu em terrenos diversos, e aquela que caiu em terra boa deu frutos em abundância.  Nesta lógica, o Seminário/Casa de formação é, também, o lugar de ajudar o vocacionado a produzir frutos que o ajude a dar respostas vocacionais cristãs consistentes. Leia mais »

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