3 de outubro de 2019
Notícias

Mensagem da Ampliada das CEBs para o Regional NE3

CEBs - Regional NE3

Divulgação

“Como somos todos tão iguais” (Fernando Mazza /artista barrense).

Foi na concreta busca desta vivência de igualdade que nosso trem cebiano partiu pelo sagrado chão sertanejo. Percorremos suas estradas, enegrecidas de asfalto e de histórias, atravessamos, com alegria e reverência, o grande Velho Chico e estacionamos nossos vagões de gentes sertanejas da Bahia e Sergipe, aqui na calorosa diocese de Barra de São Francisco. Unidos, formamos um conectado grupo de setenta e sete membros representando vinte dioceses. Viemos fortalecer nossas lutas, e alimentar nossas esperanças, juntos com três seminaristas, oito padres, dois bispos, a CPT- Ba, a PJ, e o CNLB.

Viemos de longe e Chegamos até aqui, calçados e vestidos de esperança e fé, no Ressuscitado. Fomos acolhidos e acolhidas no palácio-lar de São Francisco de Chagas, pelo seu pastor amoroso e movido pela caridade, Dom Luiz Cáprio, e seus emancipados fiéis, representados pelo zeloso cuidado de Mônica. Vimos Barra nos retratos e imagens do Palácio episcopal iniciado por Dom Augusto Alves da Silva e construído por Dom Adalberto Sobral. Aquelas vivas salas e suas paredes revelaram, através dos trabalhos/serviços de Geraldo, Fernando e Dona Luzia, a memória e cotidiano dos barrenses. Vidas sustentadas entre fé e dor, tristeza e alegrias, vida e morte. Mas muitas paredes também fizeram palpitar em nós, pelas bênçãos de santa Dulce dos Pobres e são Galvão- Nossos santos- a força, coragem, luta e ternura dos trabalhadores e trabalhadoras, ciganos, ribeirinhos, pescadores, lavradores, lenhadores, lavadeiras e outros tantos que vivem abraçados pelo místico e sagrado Rio São Francisco.

Partilhamos fé, animadas e animados pela força libertadora do Evangelho através das místicas, orações, cantos e da análise de conjuntura conduzida pelo querido agente da CPT, Mauro Jakes. A análise vai acontecendo e revelando as duras realidades vividas e sentidas pela comunidade local e nacional. O momento atual é marcado por uma crise consistente, materializada no caos e injustiça tributária, endividamento público, na perversão política, opressão, perda de direitos, matança e alienação midiática. As comunidades, tradicionais ou não, têm seus modos de vida destruídos por projetos de mortes, implementados pelo atual governo. Há uma desesperança eminente, um sufoco, um estado de desequilíbrio emocional, uma fadiga que atinge todos nós. Fomos derrotados ideologicamente. As complexidades são grandes e precisamos compreendê-las. É desafioso vencer este cenário, não basta apenas ter uma posição de esquerda partidariamente é preciso formação, organização e articulação da base. Neste sentido as comunidades são luzes e forças que ressurgem para este enfrentamento. É preciso a retomada da doutrina social da igreja e de uma fundamentação bíblica ligada a fé política. Porque “o certo é uma fé política” para que nenhuma família fique sem casa, comida, saúde e emprego. Que o amor seja a revolução, nesta igreja da sinodalidade que acolhe o trabalho nas suas sacristias, permitindo que luta e profecia aconteça. O sínodo da Amazônia e outros surgem como luzes e força de enfrentamento a esta política da perversidade revelada neste governo do mal, da ridicularização e da idiotice.

Somos seguidores e seguidoras de Jesus! As novas diretrizes são luzes acessas! Assim nos anima com suas valiosas reflexões, Dom Luiz, tratando do tema da ampliada: As novas diretrizes da CNBB, nos aspectos que se referem ás comunidades. A construção da paz é grande chamado, deve nascer dentro de cada um, não pode ser encontrada fora. A prática do Evangelho exige isto. Nossa vocação de CEB’s é testemunhar a fraternidade e a solidariedade com vista na opção de Cristo pelos pobres. As CEB’s devem ser geradoras de missionários e estar atenta a sua realidade de desafios e potencialidades. Devem ser espaços de inclusão, pois assim Cristo é: Não exclui ninguém. Devem viver a comunhão sabendo que o “Espirito Santo é para a igreja o que a chuva é para terra, o que o sangue é para o corpo e o que o ar é para a vida”. Precisamos de dignidade e paz e para isto precisamos fomentar nossa resistência, restaurar, também, em nossas ações a Teologia da criação que nos ensina a vivência da conectividade com toda criação de Deus. Isso faz parte da nossa espiritualidade, é força para a vivência neste mundo! E assim vamos seguindo convictos que a santidade é possibilidades para todos e todas. As portas devem permanecer abertas num ritmo pulsante de acolher e enviar, para o nascimento de outras comunidades alicerçadas na palavra, no pão, na caridade e na missão.

Barra de São Francisco-Ba, 29/09/2019


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