O Presente artigo vem mostrar que sem uma espiritualidade libertadora, que encontre a carne chagada do Cristo nos pobres, não há salvação em Cristo. Apresentarei baseado na teoria sócio- econômica de Karl Marx, algumas expressões religiosas que estão a serviço do capitalismo, deturpando a mensagem central do Evangelho. Depois com a base BÃblica, e o Magistério Social da Igreja, tentarei mostrar que na essência do anúncio do Evangelho, está uma espiritualidade libertadora, que leva em consideração os mais pobres.

Estas tendências espiritualistas que não consideram a realidade sofrida dos mais pobres, estão a serviço do modelo capitalista vigente, que para se perpetuar gera miséria e fome. Já dizia um dos filósofos da teoria polÃtica e econômica, Karl Marx, (Cf, Fonte Inteligência Artificial), na estrutura da vida social há duas formas de organização que são: Infraestrutura e superestrutura. Na infraestrutura estão as várias formas de negociações das empresas para angariarem lucros, relação de patrão e empregado, vendendo assim os seus produtos e obtendo os lucros. Na Superestrutura, encontramos os aspectos não econômicos, mas tem um sentido simbólico na formação humana e consequentemente social e econômica, que são: O estado, com seu ordenamento jurÃdico, a cultura e também a religião. A Superestrutura para Marx, colabora muito para fundamentar a infraestrutura, isso sugere que uma prática religiosa que ignora a carne sofrida do pobre, favorece todos os mecanismos de angariar riquezas para alguns, e gerar misérias a outros, pois acabam criando narrativas simbólicas que justificam uma sociedade com a participação do opressor e do oprimido, pois para o sistema capitalista, você pode dar uma esmola tranquilamente para um pobre, porém jamais poderá perguntar o que gera a miséria e a pobreza, e jamais lutar por mecanismos sócio- polÃtico de uma sociedade mais justa, fraterna e solidária. Portanto, uma espiritualidade libertadora é uma grande ameaça para o sistema capitalista vigente.
Mas como mencionei no inÃcio, não há salvação em Cristo sem um olhar para os pobres, isto é, não há uma autêntica fé cristã sem se questionar as raÃzes da pobreza. É preciso uma espiritualidade Libertadora, no qual se mostra na história da Revelação BÃblica, como também na Tradição e o Magistério da Igreja. Para melhor compreensão temos como exemplos: em Lc 16,19-31, vemos a parábola do Pobre Lázaro, e o rico que não é identificado o nome. Nela, há dois pontos importantes a considerar: para os sábios de Israel, o nome é fundamental na vida do ser humano, pois ele indica a identidade da pessoa. O Rico da Parábola não tem nome, isto nos mostra que ele é sem identidade, a pior coisa é o ser humano sem identidade, principalmente diante de Deus. Ao mesmo tempo o pobre tem um nome, Lázaro, que significa Deus cuida. A catequese Lucana nos aponta que o rico ambicioso que desconsidera os mais pobres, não encontrará a salvação diante de Deus. Mateus 25,35-40, nos mostra que no final dos tempos, Cristo vai nos questionar sobre as obras de misericórdia, isso também ensina o magistério da Igreja, o cuidado e amor para com os pobres e vulneráveis da sociedade, pois sem este cuidado não se poderá alcançar a salvação.
Por fim, a Exortação Apostólica do Papa Leão XlV, Dilexi-te, sobre o amor para com os pobres, (cf. Pr: 113), nos mostra que se a igreja não se preocupar com os pobres, ela perderá sua essência de anunciar a Boa Nova do Evangelho, podendo até apresentar discursos bonitos mediante a estética, porém todos vazios sem a veracidade, que é anunciar Cristo, levando em consideração o cuidado com os mais vulneráveis.
Portanto, se quisermos ser fieis ao Evangelho, como igreja, devemos cuidar e amar os mais vulneráveis, pois neles estão os rostos do cristo crucificado, que precisa ser enxugado como fez Verônica. Nele estará também o Cirineu, que vai ajudar a sanar os seus sofrimentos, ajudando a carregar a cruz. É uma espiritualidade encarnada e libertadora, que irá nos questionar à luz da fé cristã, as causas e raÃzes das desigualdades sociais, assim sairemos de uma espiritualidade alienante e mentirosa, a serviço do capitalismo destrutivo, para uma espiritualidade libertadora e inclusiva, como pede verdadeiramente a fé cristã.