Este artigo advém da minha inquietação em perceber, ao longo de anos, como a violência vem se tornando algo natural em nosso meio.
Para início, é necessário contextualizar a violência. Ela é definida como uso da força física ou poder contra si próprio, contra outra pessoa, contra um grupo ou comunidade, e vem de forma real ou em forma de ameaça. Independente da forma como é manifestada, ela resulta em lesões, em traumas psicológicos, privação e até a morte.
Em nossos noticiários assistimos todos os dias casos de violência praticados pelos mais variados segmentos. Isto está se tornando um fato comum e corriqueiro que até no convívio diário prevalece o “grito”, ou seja, estamos “gostando” de ver brigas e discussões, e até a querer praticar a justiça com as próprias mãos.
Essa naturalização nos traz uma preocupação muito grande, pois, até nas redes sociais, o que dá engajamento são os conflitos, a intolerância e o comportamento agressivo. E assistimos a tudo isso reduzindo a gravidade desses atos.
Em tempos de redes sociais e do uso excessivo do celular, estamos habituados à violência. Um fenômeno que antes era algo excepcional, hoje está enraizada no nosso cotidiano.
Não quero me atentar aqui sobre um tipo específico de violência, mas chamar a atenção para a sua naturalização . O Atlas da Violência de 2025, aponta o Brasil como o 7⁰ país mais perigoso do mundo. Para nós brasileiros, a violência se tornou parte da vida diária. Não temos mais uma cultura de tolerância, do perdão, do diálogo. As ruas, antes espaços de convívio e interação, hoje são territórios de perigo e vulnerabilidade.
Enfrentamos ainda muitos desafios, porém, é necessário o investimento em políticas públicas que criem laços e redes de apoio, que crie espaços de cultura e lazer, de uma educação de qualidade e focada no pensamento construtivo, de uma saúde preventiva e igualitária. Tudo isso deve estar na pauta dos governantes.
Enquanto Igreja, que busca o caminho da sinodalidade, do acolhimento e da mediação de conflitos, o que realmente estamos fazendo no combate às mais diversas formas de violência? Estamos sendo agentes transformadores que buscam uma cultura de paz? Somos agentes ativos?
O Catecismo da Igreja Católica, no parágrafo 2262 diz que toda violência que nasce do ódio ou vingança é pecado, pois ofende a Deus e a dignidade da pessoa humana. A Doutrina Social da Igreja tem seus pilares sustentado em uma sociedade fraterna, baseada no diálogo e no bem comum, e que as lutas de classes, as desigualdades sociais e a injustiça no campo econômico, são vertentes que ocasionam a violência.
Enfim, a educação, a promoção da justiça social e o fortalecimento dos direitos, são pilares fundamentais para uma sociedade mais fraterna.