21 de julho de 2025
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Deliberações políticas: muitas vezes os fins não justificam os meios

A Doutrina Social da Igreja, nos parágrafos de  419-420, nos aponta os princípios da subsidiariedade e da solidariedade dentro das deliberações políticas. No primeiro, da subsidiariedade, reflete que as ações políticas devem favorecer e proteger a propriedade adquirida pelo esforço humano no uso de suas habilidades e criatividades. No segundo , o da solidariedade, ancora que a aquisição da propriedade privada deve levar em consideração a justiça social sem jamais levar à miséria e à exclusão de outros. Ao mesmo tempo em que as ações políticas visam o favorecimento da propriedade privada, deve estabelecer limites sobre esta, favorecendo assim a proteção aos menos favorecidos e implementando políticas públicas em favor destes, e ainda mais, o cuidado para não explorar a Criação, implementando ações governamentais de proteção ao meio ambiente.

Partindo das orientações da Igreja, sobre as deliberações políticas à luz do Evangelho, gostaria de apresentar as deliberações políticas de algumas situações presentes, tanto  localmente quanto nacionalmente. Deliberações estas que não veem o bem comum da população, mas apenas de um grupo. Que usa da máquina pública, do regime democrático para se beneficiarem, trazendo assim danos humanos e sociais aos demais cidadãos. O Papa Francisco já nos alertou na Laudato SI: “O drama de uma política focalizada nos resultados imediatos, apoiada também por populações consumistas, torna necessário produzir crescimento a curto prazo”. (LAUDATO SI, p.106).  Nesta colocação do Papa Francisco, observa-se  o que de fato funciona é o pragmatismo político, no qual uma boa parte de políticos elaboram ações a curto prazo, apenas visando votos, para a perpetuação no poder e sem levar em consideração uma ação planejada que busque de fato favorecer as necessidades da População e o meio ambiente.

Vejamos alguns pontos a serem considerados destes pragmatismos políticos: muitas prefeituras locais buscam realizar obras eleitoreiras em período de eleição sem a devida responsabilidade, apenas para buscar o crescimento do seu eleitorado. Outras lotam de funcionários, pagando mal o salário, e exigindo atitudes que vão contra a livre iniciativa de cada um. A nível Federal, percebemos a falta de interesse da super Taxação dos Super Ricos, que poderia gerar um lucro grande ao Estado, e assim, investir em políticas públicas para o cuidado principalmente dos mais vulneráveis.

Infelizmente, este paradigma político que muitas gestões aplicam, não justificam os meios de uma política pública à luz do Evangelho de Nosso Senhor Jesus Cristo, pois, estes meios trazem a aniquilação do ser humano e do meio ambiente, favorecendo a opulência do poder de uns e levando milhares de outros a uma situação de miséria. Tais práticas jamais serão coerentes com as práticas que o Nosso Senhor Jesus Cristo, o maior líder político, nos ensinou. Uma estrutura política pautada na plena Caridade, em que todos são incluídos, sem jamais exclusivismo de alguns e muito menos dele próprio. Quando queria fazê-lo rei, ele mesmo não aceitou.

                                                        Padre Bruno Araújo Porto – Pároco da Paróquia Santo Antônio de Caraíbas