8 de outubro de 2025
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As contradições de alguns agentes políticos no atual cenário brasileiro, à luz do Ensinamento Social da Igreja

Por Pe. Bruno Araújo Porto/Pároco de Caraíbas

O Presente artigo tem por objetivo demonstrar algumas decisões tomadas por uma boa parte dos agentes políticos que ferem o compromisso com a população brasileira, e principalmente, vão contra a moral social cristã.

Apresentarei três ações que demonstram tais descompromissos com a ética cristã no âmbito sociopolítico: primeiro tivemos o Projeto de Lei que flexibiliza as leis ambientais, conhecida como PEC da devastação, aprovado em sua grande maioria, tanto nas duas casas Senado e Câmara, e vetado em alguns pontos pelo executivo, mas ainda não há aprovação total. Vimos também outro Projeto de Lei da chamada PEC da Blindagem, aprovado pela maioria dos Deputados Federais e vetado no Conselho de Justiça do Senado por unanimidade dos Senadores que fazem parte deste conselho, sendo arquivado completamente. E por fim, o Projeto da Lei de Anistia que ainda está no âmbito das discussões para ser pautados na votação.

Estes projetos de lei que estes agentes políticos apresentaram, traz grandes problemas como: A flexibilização das leis ambientais, o que irá ocasionar devastação em massa da Casa Comum, trazendo prejuízos graves ao meio ambiente; a PEC da Blindagem que favorece, por exemplo, muitos cidadãos do crime organizado a buscarem cargos públicos porque uma vez eleitos seriam blindados de todas as investigações enquanto estivessem exercendo o mandato parlamentar; e por fim a anistia, que tem como objetivo perdoar toda quadrilha organizada que planejaram o golpe de Estado e que é considerado, pela Constituição Federal, um crime grave.

Políticos que defendem essas pautas agem contra os princípios da Doutrina Social da Igreja, que em seus parágrafos (Pr 410-413), nos mostra que as deliberações políticas devem ser a favor do Bem Comum e jamais nos favorecimentos pessoais destes, pois, ao agirem assim, estão indo de encontro a todos  que lhes conferiram o poder através do voto democrático a missão de governar.

Infelizmente, estes agentes políticos não são comprometidos com a justiça social e não agem em prol da dignidade da pessoa humana, pois suas posições políticas são inadmissíveis com a ética social cristã.  Nunca, no horizonte do ensino social da Igreja, poderemos concordar com a flexibilização das leis ambientais, pois este projeto de lei retroalimenta o capitalismo selvagem, enriquecendo os latifundiários do agronegócio a custa da miséria de muitos e sem contar os danos terríveis ao meio ambiente, ou seja, a toda beleza da Criação.

Jamais se deve também concordar com o projeto de lei de blindagem de parlamentares, pois este projeto de Lei incita a impunidade, tendenciando aqueles agentes políticos a praticarem crimes e serem protegidos pela imunidade parlamentar e não permitindo assim, enquanto exercem seus mandatos, qualquer investigação da polícia federal.

E por fim, a lei da anistia que é um atentado à democracia, ferindo os princípios da Constituição Brasileira, pois livram dos crimes todos e todas que atentaram contra o regime democrático de direito. Permitir a anistia é demonstrar que se pode tramar qualquer golpe de Estado, podendo ser anistiado ou anistiada, e assim deixando cada vez mais nossa democracia ameaçada. E sabemos que qualquer regime político não democrático, vai contra todos os princípios cristãos.

Portanto, cabe a nós cristãos, não mais reelegermos estes agentes políticos, pois eles com suas posturas são uma ameaça para uma sociedade mais inclusiva, justa e ecológica.